Fim da aula de História da Filosofia Antiga. A barriga pedia lanche e a mente descanso. O assunto o absorvera: os preclaros antagônicos Parmênides e Heráclito. Chegou na lanchonete.
- Um X-Bacon, por favor!
A concepção heraclitiana é tão fascinante! O dinamismo, o eterno fluir, são tão palpáveis! Percebia-o até mesmo em si, nos seus sentimentos, no próprio comportamento.
Por outro lado...
- Acebolado, amigo?
- Sim, acebolado.
...Por outro lado, a teoria do Ser de Parmênides remetia-o ao que mais ou menos conhecia da Mecânica Quântica, que o intrigava bastante.
Só o Ser existe e tudo é uma única e mesma coisa: o Ser - Parmênides; Tudo é energia - Física Quântica. Nas duas teorias a mudança ou diferença é só aparente...
- Amigo! Olhe, já botou cebola? Sem cebola então. Brigado.
...O que há é estabilidade, imutabilidade, unidade...
Sua mente cessou, um instante. Olhou em volta. Lanche chegado.
- Droga! - à primeira mordida, derrubou o sanduíche no chão. Levantou-se irritado e foi embora.
sexta-feira, 10 de julho de 2009
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Encantas-me, Lua
Com teu pálido aspecto
Teu tímido e doce método
De mistérios suscitar
Pesadona
Flutuas no éter
Rodeada de estrelas-confete
Num sereno festejar
Ó, Lua
Achei pele tão alva
Quanto a pele tua
Te pergunto, querida Lua
Tens alma?
Tens riso que os nervos acalma
E olhos que os abalam de novo?
Tens cabelos lindos, cílios compridos
Ou cheiro gostoso?
És bela, formosa...
Mas nem tanto, te garanto
Porque se vires Bianca
Desejarás, eu sei, pois sois uma tonta
De vergonha, ecilipsar.
Com teu pálido aspecto
Teu tímido e doce método
De mistérios suscitar
Pesadona
Flutuas no éter
Rodeada de estrelas-confete
Num sereno festejar
Ó, Lua
Achei pele tão alva
Quanto a pele tua
Te pergunto, querida Lua
Tens alma?
Tens riso que os nervos acalma
E olhos que os abalam de novo?
Tens cabelos lindos, cílios compridos
Ou cheiro gostoso?
És bela, formosa...
Mas nem tanto, te garanto
Porque se vires Bianca
Desejarás, eu sei, pois sois uma tonta
De vergonha, ecilipsar.
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Anseio
Enquanto desejo transubstanciado
Não sou
O eu inexiste
Anseio, a única realidade
Tua boca, fonte de materialidade
Tem poder de retransubstanciar-me
Pois de carne e osso serei de novo
Quando do teu beijo sentir o gosto...
Aí - desejo que sou - terei-me realizado.
Não sou
O eu inexiste
Anseio, a única realidade
Tua boca, fonte de materialidade
Tem poder de retransubstanciar-me
Pois de carne e osso serei de novo
Quando do teu beijo sentir o gosto...
Aí - desejo que sou - terei-me realizado.
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Esses olhos...
Esses olhos, grito do teu sexo
Revelaram minha fragilidade.
Transmutei-me num todo desconexo
Frente a tanta feminilidade!
Dançando com fantasmas, grande tolo
Corrompi o relicário sagrado
Do beijo(meus lábios): triste dolo!
Pois segui o inverso do desejado.
E no bailar do ritmo sensual
Esforcei-me em parecer casual
O encostar do meu corpo no teu
No fim, ao pedir teu nome(ao menos!),
Tive a impressão de que eras tu Vênus...
Mereço o castigo de Prometeu!
Revelaram minha fragilidade.
Transmutei-me num todo desconexo
Frente a tanta feminilidade!
Dançando com fantasmas, grande tolo
Corrompi o relicário sagrado
Do beijo(meus lábios): triste dolo!
Pois segui o inverso do desejado.
E no bailar do ritmo sensual
Esforcei-me em parecer casual
O encostar do meu corpo no teu
No fim, ao pedir teu nome(ao menos!),
Tive a impressão de que eras tu Vênus...
Mereço o castigo de Prometeu!
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Essência Mutante
Na minha essência mutante
Te quero só minha, constante
Me quero teu, pra sempre.
Não é assim? Que pena
Deixa-me fingir então, apenas
Que na minha essência mutante
Só não muda você.
Te quero só minha, constante
Me quero teu, pra sempre.
Não é assim? Que pena
Deixa-me fingir então, apenas
Que na minha essência mutante
Só não muda você.
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
Como sempre, acordara de mau humor. Esfregou o rosto grosseiramente com água , punindo-se. O motivo? Não havia. Estava irritado, simplesmente, e a culpa só podia ser dele mesmo.
Olhou para o quintal. Bosta de cachorro. "Cachorro filho-da-mãe, só faz cagar, esse porra!". Ficou em dúvida se comia logo ou se logo limparia a merda. "Droga, agora já estou pensando 'nela' mesmo!". Resolveu limpar e depois tomar banho, para só então comer.
Saiu, com jornal velho e uma sacola de plástico. Começou o apanhamento de quatro bolotas de doberman, bem caprichadas. O vizinho da frente varria a calçada e parte da rua.
"Bom dia, vizinho!" - Falou alegre o varredor.
"Bom dia", odiou ter que responder.
"Último dia do ano, hem, tá animado?". Começou a se irritar.
"Não".
"Mas ora! Como pode? Ha ha! Não importa, o que importa é que Deus lhe dará tudo de bom, viu, e muito mais".
"É?". O desprezo se misturava com a descrença flamulada.
"Ora, não acredita? Pois Deus acredita no senhor. E eu rezo pelo senhor todas as noite, sabia?"
"Obrigado." Terminou de limpar o terceiro plogote. O jornal rasgara e tinha melado o dedo. "Karalho!".
O homem com a vassoura na mão assustou-se com tanta infelicidade, e compadeceu-se, tentou ajudar.
"O senhor anda muito irritado. Parece não estar em paz. Sabe, hoje, às dez horas, antes de romper ano, vai ter um culto, onde vamos agradecer pelo ano que passou e orar por um ano novo melhor ainda. Pode ser interessante, vai ter música, lanches, conversas... E então?".
"Meu amigo, não quero não, viu! Fique na sua paz aí! Até logo!". Entrou, com o cocô enrolado em quatro bolinhas de jornal dentro da sacola.
Lavou as mãos com sabão amarelo e esfregou bastante. Ficou pensando na inconveniência "desses evangélicos. Assim eles só fazem afastar. A igreja parece um lugar pra fanáticos que querem ver tudo aos olhos da Bíblia, mas em casa não estão nem aí pros filhos, traem as esposas, pensam demasiadamente em si, em dinheiro, etc".
Quanto rancor.
O dia transcorreu como se não fosse o último daquele ano. Para ele. Na rua, as pessoas se cumprimentavam, visitavam-se, riam, faziam almoços e pratos especiais e saiam trocando uns com os outros. Havia festas, música, brincadeiras, uma bandinha improvisada formada pela vizinhança mesmo. O carrancudo em casa, odiando tudo e todos.
Fez seu próprio almoço, displicentemente. Ficou uma droga. Mal comeu .Leu O Manual do Executivo, escutou Jazz, entrou na internet.
Pesquisava detalhes da Segunda Guerra, num site especializado. Até se encher. Teve vontade de entrar nun chat. Relutou. Ficou olhando vídeos diversos. Teve vontade de novo. Cedeu.
Conversou com algumas pessoas. "Ninguém interessante". Saiu. "Filme", resolveu. Assistiu Mar adentro. Ótimo. Emocionou-se. Sentiu-se só. Já eram seis da tarde. Dormiu. Acordou. O rádio-relógio marcava 21:14h. Ficou com vontade de chorar. Chorou. "Por quê?". Ele sabia.
Tomou banho e foi à igreja. Lá encontrou seu vizinho, que quando o viu, sorriu, dirigindo-se para ele. Abraço apertado. Ele chorou de novo. O vizinho o pegou pela mão e o sentou ao lado de sua esposa, que estava com as crianças. Tocou uma música. "Posso até chorar/Mas a alegria vem de manhã...". Mais choro, e soluços. A esposa do vizinho o abraçou, e as crianças, pequenas, levantaram-se e fizeram o mesmo, arrudiando-o.
Nesse dia, ele se converteu.
Olhou para o quintal. Bosta de cachorro. "Cachorro filho-da-mãe, só faz cagar, esse porra!". Ficou em dúvida se comia logo ou se logo limparia a merda. "Droga, agora já estou pensando 'nela' mesmo!". Resolveu limpar e depois tomar banho, para só então comer.
Saiu, com jornal velho e uma sacola de plástico. Começou o apanhamento de quatro bolotas de doberman, bem caprichadas. O vizinho da frente varria a calçada e parte da rua.
"Bom dia, vizinho!" - Falou alegre o varredor.
"Bom dia", odiou ter que responder.
"Último dia do ano, hem, tá animado?". Começou a se irritar.
"Não".
"Mas ora! Como pode? Ha ha! Não importa, o que importa é que Deus lhe dará tudo de bom, viu, e muito mais".
"É?". O desprezo se misturava com a descrença flamulada.
"Ora, não acredita? Pois Deus acredita no senhor. E eu rezo pelo senhor todas as noite, sabia?"
"Obrigado." Terminou de limpar o terceiro plogote. O jornal rasgara e tinha melado o dedo. "Karalho!".
O homem com a vassoura na mão assustou-se com tanta infelicidade, e compadeceu-se, tentou ajudar.
"O senhor anda muito irritado. Parece não estar em paz. Sabe, hoje, às dez horas, antes de romper ano, vai ter um culto, onde vamos agradecer pelo ano que passou e orar por um ano novo melhor ainda. Pode ser interessante, vai ter música, lanches, conversas... E então?".
"Meu amigo, não quero não, viu! Fique na sua paz aí! Até logo!". Entrou, com o cocô enrolado em quatro bolinhas de jornal dentro da sacola.
Lavou as mãos com sabão amarelo e esfregou bastante. Ficou pensando na inconveniência "desses evangélicos. Assim eles só fazem afastar. A igreja parece um lugar pra fanáticos que querem ver tudo aos olhos da Bíblia, mas em casa não estão nem aí pros filhos, traem as esposas, pensam demasiadamente em si, em dinheiro, etc".
Quanto rancor.
O dia transcorreu como se não fosse o último daquele ano. Para ele. Na rua, as pessoas se cumprimentavam, visitavam-se, riam, faziam almoços e pratos especiais e saiam trocando uns com os outros. Havia festas, música, brincadeiras, uma bandinha improvisada formada pela vizinhança mesmo. O carrancudo em casa, odiando tudo e todos.
Fez seu próprio almoço, displicentemente. Ficou uma droga. Mal comeu .Leu O Manual do Executivo, escutou Jazz, entrou na internet.
Pesquisava detalhes da Segunda Guerra, num site especializado. Até se encher. Teve vontade de entrar nun chat. Relutou. Ficou olhando vídeos diversos. Teve vontade de novo. Cedeu.
Conversou com algumas pessoas. "Ninguém interessante". Saiu. "Filme", resolveu. Assistiu Mar adentro. Ótimo. Emocionou-se. Sentiu-se só. Já eram seis da tarde. Dormiu. Acordou. O rádio-relógio marcava 21:14h. Ficou com vontade de chorar. Chorou. "Por quê?". Ele sabia.
Tomou banho e foi à igreja. Lá encontrou seu vizinho, que quando o viu, sorriu, dirigindo-se para ele. Abraço apertado. Ele chorou de novo. O vizinho o pegou pela mão e o sentou ao lado de sua esposa, que estava com as crianças. Tocou uma música. "Posso até chorar/Mas a alegria vem de manhã...". Mais choro, e soluços. A esposa do vizinho o abraçou, e as crianças, pequenas, levantaram-se e fizeram o mesmo, arrudiando-o.
Nesse dia, ele se converteu.
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