é tarde. o sol já baixo e ameno, em seu bom humor pinta arrebóis no céu. crianças na praia brincam, soltam gritinhos empolgados e alegres. eu nas águas muito verdes e calmas, mornas do mar, me deixando levar por seu balanço suave. me sinto repleto e feliz. olho o continente e o vejo todo em meu imaginar.
o mundo quer me dar abraço.
mas uma sombra cobre a minha sombra, ultrapassa-a em muito, vai escurecendo tudo! a água escorre apressada para o oceano, me arrasta. eu viro e uma vaga enorme cresce ainda mais. nado e nado, mas a ressaca é implacável(é como nadar numa piscina ergométrica). o chiado forte da onda estourando em seus limites aumenta, anunciando a iminência de sua derrocada. acordo.
suado como se houvesse, de alguma forma, ainda pingando, chegado em terra, são. no entanto estou só, não há alegria no meu quarto escuro. meus sonhos são uma piada e a minha vida inútil. eu nunca termino meus projetos, porque no caminho mesmo de os ir executando, desacredito. vou até a pia do banheiro, jogo uma água salobra em meu rosto, olho no espelho e o que vejo? uma beleza estéril: nem eu mesmo me abraçaria.
e penso como um idiota: há um sabotador em mim!
há sim. um espião, um gênio malfazejo, um sátiro escarnecedor. este sou eu, sabotador de mim.
terça-feira, 24 de maio de 2011
quinta-feira, 19 de maio de 2011
é noite(sempre). mergulho no oceano caótico do que sou. procuro às cegas na infinidade-mar de sentidos, nas correntezas de afetos, no bravio de ondas/pensamentos sem fim, na espuma do que me resvala, um tesouro baço chamado identidade. sinto outras vidas nadando ligeiras ao meu redor, que também é dentro de mim. sinto o peso dos peixes grandes e a sua presença absurda. onde está?
a agua é muito fria e não sei por quê, quero chorar. lágrimas de ser. lágrimas de não ser.
vou ficando sem ar, vou ficando sem mim.
a agua é muito fria e não sei por quê, quero chorar. lágrimas de ser. lágrimas de não ser.
vou ficando sem ar, vou ficando sem mim.
quarta-feira, 18 de maio de 2011
o teu cantar o que é prosaico me atordoa: como posso gostar disso? mas gosto. a tuas idéias que não são tuas te fazem original demais. como? eu discordo contigo e te acho ultrapassada, mas será mesmo que te entendo? o teu jeitinho discreto, incógnito, agora toma as ruas, é o primeiro sinal de que o dia despontou.
(meu deus, se eu cresse em ti, te julgaria insano. foi assim que fizeste o amor? sinto-me um personagem de kafka.)
eu vi a tua calcinha e, juro, achei "tão lindo!". queria me abaixar até lá e fungar, com calor e carinho. mas teu olhar miúdo me tirou logo esse pensamento - e todos os outros.
não sei ser eu perto de ti. e quando pretendi que te dominaria não contava com o reverso.
viver é mesmo muito perigoso, guimarães.
(meu deus, se eu cresse em ti, te julgaria insano. foi assim que fizeste o amor? sinto-me um personagem de kafka.)
eu vi a tua calcinha e, juro, achei "tão lindo!". queria me abaixar até lá e fungar, com calor e carinho. mas teu olhar miúdo me tirou logo esse pensamento - e todos os outros.
não sei ser eu perto de ti. e quando pretendi que te dominaria não contava com o reverso.
viver é mesmo muito perigoso, guimarães.
domingo, 15 de maio de 2011
minha vida tem sido perturbadoramente condescendente: dou sempre licença, me abstenho de causar, desculpo-me por um brilhantismo qualquer. sou o tempo todo golpeado por malditas expectativas saltitantes(aos montes por aí!), que não me deixam esquecer da sua presença, dos meus "desvios".
ora, deve haver um "expeccida" em algum lugar. estou cansado dessas danadinhas.
ora, deve haver um "expeccida" em algum lugar. estou cansado dessas danadinhas.
não somos definíveis(seja isso ou não parte de alguma definição). não é possível dizermos que alguém é de determinado modo e estarmos certos. uma pessoa pode agir de determinado modo, mas ação nenhuma dá conta de tudo o que uma pessoa é.
no entanto, somos o que somos - do nosso jeitinho vapor de ser - e isso não pode mudar.
no entanto, somos o que somos - do nosso jeitinho vapor de ser - e isso não pode mudar.
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