quinta-feira, 10 de janeiro de 2008
Amor...
O que é o amor sem toque, sem cheiro de suor, sem desejo louco e depravado? O que será ele sem o molhado das línguas, sem as mãos trêmulas que percorrem nervosamente os corpos, as partes mais íntimas dos corpos? O amor sem o desespero da entrega incontinente, sem pudor? É um amor incompleto, insuficiente. Insosso, insípido, pueril! O amor pode ser um sentimento elevado, mas a única forma de ascender a ele é por via da paixão, da mais genuína e visceral das paixões. A mundana prostituta Paixão. E nesse contexto, quem segura o arco e atira flechas(envenenadas de volúpia) é a generosa Loucura, que tanta felicidade e liberdade gratuitamente distribui.
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3 comentários:
Eu respondo. O Amor, sem tudo aquilo que você aqui descreve, apesar de pueril, é a forma mais pura que existe. É, de fato, Amor.
Para quem quer dar ao Amor a desculpa esfarrapada da Paixão mascarada, do Desejo travestido, sua descrição de Amor é perfeita.
Quem ama não vê no sexo a realização do amor melhor, mais rico, mais desejado.
Quem ama exerga além dos corpos suados, molhados, trêmulos de prazer, de mãos, de toques, de gozos, de respirações e de tudo o mais.
Camões se irritaria com você.
Hahahah! Excelente! Mas lhe pergunto: você já amou sem aquilo que descrevi ou sem parte daquilo? Eu já. Não é uma boa experiência. A inevitável hora do sexo se torna constrangedora, desagradável até, maculadora da inocência e pureza da relação. São muitos respeitos, pouca intimidade. Lhe digo que acho ser esse o caminho inverso do amor. É comer sorvete de casquinha pela parte mais fina do cone.
Quando você diz que no sexo não está a realização do amor, eu aquiesço com a cabeça, mesmo sem saber direito o que significa "realização do amor". Não o vejo como um fim, mas como um meio, um caminho necessário. Sem ele o amor de que estamos falando não seria pleno. Como diz uma música: "Amor sem sexo é amizade...".
E digo mais: é o corpo quem escolhe os amores mais ardentes, aqueles que marcam, aqueles que inspiram os poetas - os Camões da vida - que são temas de tantos romances que fazem chorar, de tantos filmes que impressionam.
No seu poema mais conhecido, Amor é fogo que arde sem se ver, Camões diz:
"Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?"
Pra Camões também o amor é "fogo", é louco, contraditório. O amor de que falamos e de que fala esse poema é único e específico, é o amor apaixonado.
A razão - avessa da loucura da paixão - só serve pra justificar essa vontade que vem quem sabe de onde. No fim das contas, é a vontade que não podemos querer/escolher, só sentir, quem determina tudo. Amar é deixar-se levar. Racionalizar o amor seria destituí-lo de sua dinâmica, seria como fotografá-lo e viver aquele momento, apenas, aquela fotografia.
Que vivamos mais do que a imagem estática de um momento. Amemos, com a pureza de uma amizade, a ardência de uma paixão e a intensidade ingênua de uma loucura.
Nietzsche e Schopenhauer concordariam comigo.
Como discutir sobre o amor sem torná-lo objeto desta reflexão, pois se torná-lo, este como objeto, deixa de ser amor?
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