Como é bom esse amor de que falo abaixo! Entregar-se e sentir que o outro também se entrega, inteiramente. Mais completude não posso imaginar, e isso afeta positivamente todas as outras esferas da vida. O estudo rende mais: a concentração aumenta; o ciclo de amizades se expande: ficamos mais alegres, mais atraentes; o trabalho torna-se dignificante: encontramos sentido nele; etc.
Mas aí vem a dor.
A dor de não sentirmo-nos únicos. De sentirmos que o outro distribui gratuitamente seu amor e se entrega a outrem. Como dói essa penetrante percepção, e explode e arrasa nosso coração vaidoso e dele jorra bíle que sobe a garganta, deixando amarga a boca.
A dor de sentir que poderíamos ter evitado(ou não), mas não o fizemos. De pensar: "Se sempre desconfiei, por que me deixei enganar!?". De sentir que não possuímos controle algum sobre nós mesmos, que somos os mesmos tolos dantes.
O mais doloroso, porém, é imaginar como podia ter sido bom, se fosse de outro modo. Criar cenas felizes e simples, em que tudo está da melhor forma possível; relembrar momentos de cotidiana alegria, de bobas trocas de afeto, que nunca existiram. Doloroso é amar ainda quem te traiu. É se odiar por não ser perfeito, pois desse modo ninguém nunca iria querer te deixar. É desejar ardentemente o corpo quente e amoroso de outrora; é pensar que sem esse corpo e sem quem nele habita nada pode ser bom o bastante.
Ah, perfídia! Tua lâmina tem o veneno da covardia!
2 comentários:
Que triste.
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