quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

O homem do "às vezes"

Às vezes sou a fúria irracional; e embora o perceba e reflita enquanto sou tal, decido continuar sendo, pois a força que isso dá me agrada. Às vezes sou a sensibilidade sobrenatural, provando das dores e alegrias alheias como se minhas fossem; e me deleito vivendo outras vidas, ficando quase nunca entediado. Às vezes sou a generosidade impessoal; e me dou sem economia, sem ser algo ou alguém, não existo, só o outro. Às vezes sou o amor incondicional; fico feliz com as crianças, com os bichos, com as tolices humanas, com tudo; páro de desejar por mim e respondo a tudo com sorrisos. Sou o homem do "às vezes".

2 comentários:

Anônimo disse...
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Anônimo disse...

Quase nunca sou a calma racional; e como não percebo e não penso que sou isso, prefiro não continuar sendo, pois a fraqueza que isso demonstra me desagrada.Quase nunca sou a insensibilidade natural, provando dos prazeres e tristezas minhas como se fossem dos outros; e me entristeço morrendo em outras vidas, ficando, às vezes, entretida. Quase nunca sou a mesquinhez pessoal; e me nego com ganância, sendo nada ou ninguém, existo, não como o outro. Quase nunca sou o amor condicional; fico triste com os adultos, com os insetos, com as compreensões humanas, com nada; começo a desejar pelos outros e questiono a tudo com lágrimas. Sou a mulher do "quase nunca".