terça-feira, 24 de maio de 2011

é tarde. o sol já baixo e ameno, em seu bom humor pinta arrebóis no céu. crianças na praia brincam, soltam gritinhos empolgados e alegres. eu nas águas muito verdes e calmas, mornas do mar, me deixando levar por seu balanço suave. me sinto repleto e feliz. olho o continente e o vejo todo em meu imaginar.

o mundo quer me dar abraço.

mas uma sombra cobre a minha sombra, ultrapassa-a em muito, vai escurecendo tudo! a água escorre apressada para o oceano, me arrasta. eu viro e uma vaga enorme cresce ainda mais. nado e nado, mas a ressaca é implacável(é como nadar numa piscina ergométrica). o chiado forte da onda estourando em seus limites aumenta, anunciando a iminência de sua derrocada. acordo.

suado como se houvesse, de alguma forma, ainda pingando, chegado em terra, são. no entanto estou só, não há alegria no meu quarto escuro. meus sonhos são uma piada e a minha vida inútil. eu nunca termino meus projetos, porque no caminho mesmo de os ir executando, desacredito. vou até a pia do banheiro, jogo uma água salobra em meu rosto, olho no espelho e o que vejo? uma beleza estéril: nem eu mesmo me abraçaria.

e penso como um idiota: há um sabotador em mim!

há sim. um espião, um gênio malfazejo, um sátiro escarnecedor. este sou eu, sabotador de mim.

Um comentário:

Anônimo disse...

Esse texto me lembrou uma frase de Nietzsche: Na vida o pior inimigo que você pode encontrar é sempre você mesmo.