Dessa forma, anacrônico, tinha ainda amor, tinha ciúmes, saudades, algo.E se recorria à memória e ao seu conteúdo, era porque obedecia a um instinto de conservação, era porque não sentia mais nada, dormente, e pra viver é preciso sentir.
Alimentava-se de passado, enquanto tentava febrilmente se adaptar ao presente, captá-lo, encontrar gosto nele.
Vez por outra se estranhava, porque entendia-se ainda aquele felizardo a quem ela amava, quando há muito isto tinha deixado de ser. Via em seus olhos no espelho um certo brilho selvagem, ferido; uma expressão séria, profunda, de quem sofre continuadamente. "O que houve?".
Percebia friamente que estava partido, e esta percepção estéril não o levava a nada. E seguia.
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