Não tinha religião, amor, amigos. A solidão o feria, e então, para distrair-se dela, se empenhava em entender o que pudesse, mergulhava no mundo das considerações, das elucubrações, nos sonhos de uma sabedoria a caminho, e, de longe, vislumbrava o sentimento que não mais o atormentava, e o via com gosto, como se tivesse "sido" etapa a ser transposta para se chegar à paz de "agora".
Mas sempre voltava a si, ao momento presente, à dor que não se ia. E desgastado, prosseguia, alternando dor e sonho, numa sobrevida esperançosa ainda, rica e pobre, vazia e cheia de si.
Um dia não haverá limites, um dia não haverá o que separa, e descobrirá que nunca esteve sozinho.

3 comentários:
belo, infinitamente belo. queria ter escrito isso.
=)
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