"Sei que os teus olhos sempre atentos permanecem em mim..."
Deus...
Converso contigo por não ter mais ninguém.
Sabe, tenho momentos de debilidade mórbida - são quase uma interrupção da minha existência - e me sinto uma gota de orvalho escorrendo da pétala macia de um mimoso lírio branco: a flor é o Ser, e me agarro como posso para existir, mas minha natureza líquida em si mesma anuncia meu fim inevitável.
Eu começo a sonhar, porque é o que me resta. E imagino que lá em baixo não está um solo no qual hei de me desintegrar e, molécula por molécula, evaporar, mas um fio de água ligeiro que me levará não à foz, mas à nascente.
Eu penso em ti. Penso no que dizem e no teu amor, e desejo com uma força febril que existas e que me ergas dessa prostração. Construo imagens dos teus olhos, calmos e azuis como o mar em tempos de bonança, fitando-me com ternura, e em como esse simples olhar parece ser o bastante dos bastantes, o bastante para tudo!
Mas aí acontece algo interessante: ressurjo renovado, forte e selvagem, e de repente não há nada que eu não possa fazer. A gota de orvalho explode em mil gotículas e surge, como que do seu interior, uma exuberante borboleta, que lança vôo e toma os céus.
Não sei se por mim mesmo que deixei aquele estado, mas a sensação do divino desaparece e me afasto de ti.
Até a próxima queda! (obrigado!)

Um comentário:
Lindo!
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