quinta-feira, 16 de junho de 2011

profissão? tomador de cafezinho. e o dia todo passava, soprando e bebericando, entre conversas incontáveis na barraca do Dindo; mais o próprio, o Eustáquio, o Eusébio e o Queiroga. a venda dava pra avenida movimentada, sempre acontecendo caso de interromperem subitamente  a falação pra espiar alguma que passava. "olha que pitchuca!", "oxe, uma depravação!", "levava pra casa e dava banho", "chamava de minha querida".


um dia falavam sobre pescaria. 


- sabe o córrego lá de Santa Terezinha? dia desses fui e era peixe que Deus dava. tive que afastar uns com a mão pra botar anzol.


noutro, o assunto foi política:


- fui votar em Zico Pitanga, ó que é que dá: perdi meu voto - danado não se elegeu. devia era ter votado em fulaninho esse que ganhou mesmo. tava na cara!


sociedade.


- rapaz, foi mendigo lá em casa, cabra velho já, aleijado; coisa triste. a pobreza no olhar. tinha uns pão lá dormido, dei, que a gente tem é que ajudar mesmo. mas fico pensando, isso é castigo. 


futebol reinava.


- pense num jogador rim! é de dar dó. que procurasse outra coisa que fazer, jogar dominó, porque bola né com ele não. vê mais um "cafezin" aê, Dindo!


sexta-feira essa última, chegou abatido - todos perceberam. "qué que há, mano velho? que que foi?" quis fingir que era nada, que era sono, que num tinha comido direito, que neto tirou nota baixa, que tudo. ficaram ofendidos: não confiava nos amigos? num estavam lá pra isso mesmo? e se fosse com eles, esconderiam? não senhor! porque amigo que é amigo conta. e amigo que é amigo escuta e ajuda se puder.


- é que tô precisado de uns dinheiros aí...


Eustáquio logo disse que a mulher o esperava. Queiroga resolveu ir com ele. Eusébio, dentista. no Dindo bateu caganeira, precisou fechar o comércio.


até amanhã, camarada! até amanhã!







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