sexta-feira, 17 de junho de 2011

uma menininha - é o que era. é o que estava cansada de ser. não podia sair sozinha, comer os doces que queria, dormir tardão da noite, ver filme de horror. "que saco!" - dizia revoltada. não percebiam que já completara oito anos!?


decidiu estilhaçar esta imagem. bolou plano.


assim que entrou no carro, apanhada na escola por seu pai, comunicou: "tenho uma coisa pra dizer hoje, no jantar". "o quê?" - perguntou o outro, sorrindo do que considerava mais uma de suas fofuras. (como ela odiava isso!) "pai, já disse: no jantar!". e embirrou.


a tarde toda permaneceu no quarto, deixando a casa na maior expectativa. às seis horas desceu muito séria, foi até a cozinha e espiou: o jantar ainda não estava pronto. 


alguns minutos e seu pai deslizou a porta de vidro que dava pra varanda, e avisou-a da mesa posta. fingiu ignorá-lo, apenas mexendo-se depois que ele saíra. 


na mesa uma preocupação estava de pé, sendo estudada. "e se fosse mais que capricho?" decidiram não tocar no assunto, muito menos em tom de troça. somente deixá-la.


quando por fim apareceu, os outros à metade de acabar, sentou-se sem olhar ninguém. segurou os talheres, mexeu um pouco na comida, e soltou garfo e faca de repente, fazendo-os tilintar alto. 


- mãe, pai... estou grávida. 


uns segundos se perderam no silêncio, palavras a serem digeridas. e então: risos, muitos risos. seus pais riram de se acabar. de chorar, de afastar os pratos, de pôr a mão na barriga, de não poder dizer patavina quando ela se retirou furiosa. 


vinte minutos depois e a menininha ainda ouvia os risos. "Insensíveis!" - decretou. e abraçou Pimpo, seu ursinho de pelúcia que era na verdade um cachorro.

2 comentários:

Anônimo disse...

Só não gostei do nome do urso de pelúcia. Não deveria ser Pimpo, mas sim Ted. Mais atenção com os nomes! =P

Tiago Calado disse...

Só não boto T(h)iago por motivos óbvios.