quarta-feira, 6 de abril de 2011

Não tinha religião, amor, amigos. A solidão o feria, e então, para distrair-se dela, se empenhava em entender o que pudesse, mergulhava no mundo das considerações, das elucubrações, nos sonhos de uma sabedoria a caminho, e, de longe, vislumbrava o sentimento que não mais o atormentava, e o via com gosto, como se tivesse "sido" etapa a ser transposta para se chegar à paz de "agora".


Mas sempre voltava a si, ao momento presente, à dor que não se ia. E desgastado, prosseguia, alternando dor e sonho, numa sobrevida esperançosa ainda, rica e pobre, vazia e cheia de si. 


Um dia não haverá limites, um dia não haverá o que separa, e descobrirá que nunca esteve sozinho.

3 comentários:

Unknown disse...

belo, infinitamente belo. queria ter escrito isso.

Unknown disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Tiago Calado disse...

=)