terça-feira, 5 de julho de 2011

 - Sabe aquele tipo de coisa da qual a gente não sabe que precisa até ter encontrado? Você é assim, sem ser uma coisa, claro... Eu sei, eu sei... embora algumas vezes eu tenha te tratado como tal...


 - Prossiga.


 - E eu te amo tanto, e é tão grande, sabe... que eu nem sei definir ou explicar... 


 - Aham.


 - E se você voltasse...


 - Você dormiu com ela?


 - Claro que não! Foram só uns beijinhos, você me conhece.


 - Conheço: um atrevido.


 - Isso foi no começo. Com o passar do tempo e o namoro da gente, sabe, eu fui me aquietando.


 - Mas vocês passaram a noite juntos que eu sei.


 - Só que não rolou nada. Pra ser sincero, embora isso manche a minha masculinidade, não senti tesão. Logo no começo me deu um peso danado na consciência, aí paramos. Eu não podia mais.


 - Eu tô me lixando pra tua masculinidade.


 - Sabe de uma coisa, Roberta, você já foi mais civilizada.


 - Ah, é? 


 - É! E sensível também. E compreensiva.


 - Por que será que "de repente" eu mudei, hem?


 - Não faço a mínima ideia. E você sabe muito bem que eu odeio sarcasmo.


 - Bichinho... te ofendi, foi?


 - Pra mim basta! Você não é mais aquela mulher que eu amava. - e foi se afastando.


 - Então te dana, inferno! Pois é uma pena, viu! Também não te amo mais, e talvez nunca tenha... - ele já estava longe demais pra ouvir.


     Dois dias depois, Roberta ligou; desculpou-se e eles voltaram numa boa.

2 comentários:

Piu. disse...

mas ele tinha dormido com ela, não tinha?

Tiago Calado disse...

eu não estava lá.